sábado, 17 de maio de 2008

Que raio é esse de Design Ecológico?

Por Cristiana Fernandes


Devido a preocupação global com a sobrevivência no planeta, o designer (profissional responsável em elaborar projetos de Design), hoje tende a focar seu olhar e suas pesquisas para uma adequada finalização de seus projetos. Hoje o designer se preocupa em fazer da matéria prima utilizada, um material de trabalho inovador, que seja resistente e que não degrade o meio ambiente, pois o produto final ao ser fabricado, com o tempo se desgasta e perde sua função inicial, retornando a natureza em forma de lixo. Partindo deste ponto, o que faremos com os materiais como papel, plástico, vidro de embalagens, garrafas entre outros que já estão presentes no espaço e que não seguem estes preceitos? Uma solução imediata para este problema é reutilizar parte do lixo produzido (refugado) e criar novos produtos. Assim aumenta-se a vida funcional da matéria e retarda o seu retorno ao meio ambiente.

Reutilizar, além de trazer um ótimo benefício na redução de gastos não se perde a qualidade estética, pois todo produto ao ser elaborado pelo designer, passa por uma padronização projetual, seja em processo industrial ou até mesmo em manufatura, dando a estes produtos uma cara de produto novo que são simetricamente e igualmente confeccionados, sempre estabelecendo um padrão na qualidade na hora da confecção, sem contar com o requinte e o bom gosto que ja é nato deste profissional.

Sabendo dessa realidade que é fato, por que a Região Sul do Estado do Rio de Janeiro que é uma região dotada de um enorme acervo ecológico e que está intrinsecamente rodeada de uma vida urbana com empresas, comércios e indústrias não podem viver em harmonia e tornar uma região ecologicamente correta? Pode sim! É somente vestir a camisa da responsabilidade social existente em cada individuo e ao mesmo tempo ter um olhar diferente sobre as coisas que o nosso "mundinho" será assim, um exemplo e incentivo para o "mundão" lá fora.

A arte-design e o design-arte: O que é, o que é?

Por Valmir Perez

no início do século XX, quando da criação da Bauhaus[1], na Alemanha, esse tema gerava polêmica em vários círculos de debates, tanto acadêmicos quanto puramente artísticos. O que a Bauhaus trouxe à tona naquela época foram discussões em torno do valor artístico de uma obra projetada racionalmente e até que ponto as chamadas “artes aplicadas” poderiam reivindicar o status de “arte”, dentro do conceito clássico.

A mim, particularmente, essa discussão não tem sentido, pois acredito que a arte não pode ser encaixada dentro de parâmetros absolutamente rígidos. Foram esses mesmos preconceitos que levaram os impressionistas a serem espezinhados em suas primeiras tentativas de terem suas obras reconhecidas pelo público francês em finais do século XIX. Aqui no Brasil, anos depois, o movimento modernista sofreria quase os mesmos ataques, de uma elite e da população culta extremamente iludida com a visão clássica européia.

Se pesquisarmos com mais profundidade sobre o assunto, entenderemos que mesmo um projeto encomendado, seja ele de pintura, escultura, iluminação, etc., pode se tornar uma espetacular demonstração artística do espírito humano. Muitos artistas plásticos, designers e arquitetos deixaram suas marcas em murais, edifícios, e até mesmo em cidades inteiras, e nem por isso essas obras deixaram de ser consideradas grandes obras de arte. Olhando também através desse prisma, achar que a Capela Sistina de Michelangelo não é arte apenas porque foi projetada e encomendada pelo Papa é um absurdo. Da Vinci pintou a maioria de suas obras por encomenda e nem por isso se trata, como dizem muitos, apenas de design.

Outra discussão que permeava as atividades da Bauhaus era a de que essa escola procurava levar conceitos artísticos a produtos industrializados, ou seja, trazer beleza aos produtos fabricados em linhas de produção, o que para alguns até hoje é um absurdo. Mas essas mesmas pessoas acabam comprando gravuras de artistas que as fabricam em série, como nas fábricas. Com processos parecidos aos da indústria de objetos em série.

Sabemos, porém, que nem toda obra de um artista se transforma em obra de arte, assim como nem toda obra de design pode requerer esse status. Qual a diferença fundamental então entre uma obra artística e as outras? Esse assunto é um dos mais complexos e o que causa mais polêmicas. Isso acontece porque o que é considerado uma obra de arte em determinado momento histórico, em determinadas condições político-sociais, de cultura regional, nacional, etc., pode ser considerado até mesmo um insulto, ou uma provocação barata em outro momento. Para dar um exemplo, posso citar a exposição de “Arte Degenerada”, patrocinada pelo Partido Nacional Socialista Alemão, em 1937.

“Com o evento, os nazistas pretendiam desmoralizar a arte moderna e seus mais significativos nomes como Kandinsky, Klee e Picasso. Foram expostas 650 obras entre pinturas, gravuras e esculturas, selecionadas entre os mais de 5 mil trabalhos confiscados dos principais museus e galerias pelo Ministério da Propaganda de Hitler. A arte moderna estava sendo considerada perniciosa à “estética” partidária, “fruto da insanidade, imprudência, inépcia e completa degeneração”, como anunciava em seu discurso de inauguração o nazista Adolf Ziegler.”[2]

Assim, uma das formas de analisarmos e entendermos o que significa “arte” em nossa sociedade é também tentarmos compreender os mecanismos ocultos que se insinuam sorrateiramente nela e por ela.

Mas a arte não é fruto apenas desse “entendimento” racional de seu contexto em nossas vidas e sociedades, mas, e acima de tudo, a sensação de beleza, completude e harmonia que uma grande obra traz à tona e nos excita, nos hipnotiza e contagia. Isso também pode ser realizado pelo design, daí, a meu ver, a inócua discussão que existe entre artistas e designers para saber quem é o melhor, o mais capaz – quem realmente pode criar o que insistimos chamar apenas de “arte”.


Paula Dib e o "Design Social"

"O British Council, em parceria com a 100% Design Fair, ofereceu em 2006 uma oportunidade a um jovem designer empreendedor de concorrer ao Prêmio IYDEY – International Young Design Entrepeneurs 2006 e expor seu trabalho na edição 2007 da feira, além de receber um prêmio em dinheiro que deverá ser investido em um projeto que mantenha uma ligação com o Reino Unido.

A premiação IYDEY busca identificar uma nova geração de líderes no setor – jovens empreendedores, que trabalham nos setores de arquitetura, design de interiores e ambiental, design gráfico, design de produtos, mídia digital e interativa e design promocional, oferecendo apoio, ajudando a promovê-los, e criando um vínculo com o Reino Unido nesta fase importante da formação e desenvolvimento desses profissionais.

O processo de seleção incluiu três fases. Paula Dib venceu a duas primeiras etapas - nacionais - e viajou para Londres onde concorreu com representantes de outros países na etapa internacional. A seleção final e premiação aconteceram em setembro, durante a 100% Design Fair em Londres e Paula Dib venceu a etapa internacional também.

Sobre a vencedora

Paula Dib tem 29 anos e é graduada em Design Industrial pela FAAP Fundação Armando Alvares Penteado. Trabalha com design de produtos e se especializou em desenvolver projetos de artesanato com comunidades carentes em áreas rurais no Brasil. Sua empresa, Trans.forma, trabalha principalmente na área de consultoria de design sustentável, desenvolvendo trabalho com comunidades de artesãos e também desenvolvendo projetos nas áreas de design gráfico e de exposições.

Um dos projetos que considerados para sua indicação a este prêmio foi o Projeto Comunidade Produtiva. Paula Dib e Trans.forma trabalharam com uma das maiores empresas de papéis e celulose do Brasil, Industrias Suzano, para desenvolver design de artesanato e projetos de produção com comunidades que vivem próximas a plantações de eucalipto no sul da Bahia. O projeto mostrou às comunidades que resíduos de eucaliptos podem ser uma fonte de economia para eles através do desenvolvimento de produtos de baixo custo e técnicas que podiam ser adotadas pela comunidade. O sucesso do projeto teve repercussão e foi imitado em outras comunidades da Bahia e de São Paulo.

Depoimento de Paula Dib:

"Como designer social, meu trabalho tem se desenvolvido sempre em um contato direto com a população e a sociedade, através do direcionamento e capacitação de comunidades que executam trabalhos artesanais.
A realidade brasileira, de um ponto de vista mercadológico e social, se estruturou através de um modelo de desenvolvimento excludente.
De um lado, temos o Brasil emergente dos grandes centros urbanos, visando um desenvolvimento em moldes estrangeiros.
Do outro, o Brasil regional, muitas vezes sub-desenvolvido -ou sub-valorizado- com ricas expressões culturais e sociais.
Minha proposta é unir, através do Design, esses dois pólos sociais brasileiros, desenvolvendo produtos que gerem renda e auto-estima às comunidades artesanais, e que valorizem a cultura e as identidades regionais originais brasileiras.
Dentro deste contexto, receber este prêmio é um estímulo muito grande, pois chamará atenção da sociedade para esta nova vertente do design, abrindo novas oportunidades, fortalecendo essa atividade e possibilitando transformações efetivas. O resultando, será um beneficio coletivo".


fonte: http://www.britishcouncil.org/br/brasil-arts-design-architecture-fashion-iydey-award.htm

The folding table

Paper.Art Design Sustentável

TVE - Fibra Design Sustentável

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Faz um logo baratinho?

Cliente:
- Oi, eu queria um logo pra empresa que estou abrindo. Ouví dizer que sai por uns duzentinhos. Quanto você cobraria?

Designer:
- Depende. Para o que o senhor quer o logo?

Cliente:
- Ora essa, para usar nas coisas da minha empresa.

Designer:
- Coisas…?

Cliente:
- Cartões, notas, catálogos, website, uniformes, fachada, etc.

Designer:
- Entendo, mas para quê o senhor quer por um logo em tudo isso?

Cliente (já estressado):
- Ora, para todo mundo reconhecer minha empresa, para as pessoas verem esse logo e imediatamente saberem que é minha empresa, tipo a Nike ou a Coca-Cola.

Designer:
- Ué, mas o nome não é o suficiente? O senhor precisa gastar mais para ter um desenhinho no cartão e na fachada?

Cliente (possesso):
- Caramba, mas que diabo de designer é você? É lógico que precisa ter uma marca, um logo, uma imagem, que todo mundo vai lembrar e que vai me ajudar a vender mais. Que vou poder por apenas isso em um monte de lugares e vai ser o suficiente para se fazer um marketing viral e vou economizar muita grana em anúncio e propaganda. Que todo mundo vai olhar e lembrar dos meus produtos.

Designer:
- Então o senhor sabe muito bem o valor do que quer e do que está pedindo. Sabe que um logo bem feito não é só um desenhinho e que vai agregar valor a sua empresa e consequentemente aumento de vendas e faturamento. O senhor está adquirindo um produto tão importante quanto as suas máquinas e seus funcionários pois vai ser a cara, a identidade visual do seu negócio. O valor é R$ 10.000,00.

Moral da história: é importante que o cliente reconheça o valor e a importância do trabalho pedido, o que muitas vezes não
acontece.

Entrevista com Fred Gelli sobre sustentabilidade

Por Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 330 Agosto de 2007

Gelli foi um dos convidados, em 2007, para compor o júri dos projetos inscritos na renomada premiação britânica D&AD, na categoria embalagens. A experiência revelou ao designer o longo caminho que ainda temos de percorrer na esteira da sustentabilidade, tendo em vista sobretudo que boa parte dos trabalhos concorrentes, considerados representativos da excelência do design mundial contemporâneo, esbarrava em problemas de desperdício de material e curto ciclo de vida, entre outros fatores, embora fossem bem resolvidos em termos estéticos e técnicos. Ao lado de sua extensa equipe multidisciplinar, Gelli desenvolve projetos para grandes empresas brasileiras e internacionais na área de branding e defende a entrada da sustentabilidade na ordem do dia dos escritórios de design, nos meios empresarial e político em todo o mundo. Em sua visão, esse processo pode ser rentável e resultante de boas ações de design.

A quantos passos estamos da insustentabilidade?
Estamos vivendo um momento bastante particular da nossa história, em que é necessário quebrar um paradigma. Precisamos mudar profundamente nossa atitude em relação ao planeta, e isso passa por todas as nossas atividades, incluindo a forma como encaramos nossa existência. É claro que o consumo é o grande motor do estilo de vida que adotamos, mas o fato é que criamos um modelo de relacionamento com o planeta que está se exaurindo. Essa ficha está caindo quase todos os dias através dos noticiários. Estamos num beco sem saída.

Quais os indícios dessa urgência?
Os chineses e os indianos finalmente conquistaram alguma capacidade de consumo, entendendo que finalmente chegou a vez deles, após décadas de opressão e de fornecimento de mão-de-obra barata. Mas se 30% da população da China e da Índia - que hoje somam 2,3 bilhões de habitantes - ambicionar consumir o mesmo que um espanhol, que já é 13 vezes menos do que um norte-americano, precisaremos de três planetas e meio a mais para dar conta do fornecimento de matéria-prima e do lixo resultante. Ao mesmo tempo, a China lança atualmente 8 milhões de automóveis por ano no mercado e o Brasil outros 2,5 milhões, a despeito da situação caótica das cidades. As pessoas já não andam, as cidades pararam. Imagine a perspectiva para daqui a dez anos com a produção crescente, o marketing gerando o desejo pelos automóveis, o designer trabalhando forte para fazer com que ele seja cada vez mais atraente para um consumidor que, no final, não conseguirá utilizá-lo, porque será impossível andar nas ruas.

Qual a origem desse dilema?

Estamos ainda no embalo da Revolução Industrial, a partir de quando passamos a nos deslumbrar com a possibilidade de desfrutar de um mundo povoado por soluções tecnológicas, por objetos, por equipamentos. Li algo curioso sobre o lixo da época colonial brasileira, que, sendo praticamente orgânico, era depositado nas praias e completamente reciclado pela própria natureza. Mas agora geramos quantidades absurdas de lixo: diariamente, dois quilos por habitante, em média, nos países com mais recursos. Desse lixo apenas 40% é recuperado em países desenvolvidos - como a Alemanha, que é onde mais se recicla no planeta - e 60% vai para os aterros nas várias cidades. Recentemente, o aterro que atende a cidade de Nova York se exauriu, não tem mais capacidade para receber nem um grama. Então o lixo de Nova York está indo, de caminhão, para a Virgínia, localizada a 800 quilômetros de distância. São 50 mil toneladas em trânsito todos os dias, gastando petróleo. Então não tem mais lugar para colocar lixo, não tem mais de onde tirar matéria-prima, não tem mais como poluir a atmosfera, estamos encrencados. As conseqüências serão traumáticas para a humanidade.

O que impede as pessoas de entender a gravidade da situação?
Elas consomem de forma doentia. O fotógrafo californiano Peter Menzel, por exemplo, documenta famílias em frente de suas casas ao lado de todos os objetos que possuem, desde uma escova de dentes até um automóvel. Ele fez isso em Cuba, Tóquio, Los Angeles e numa cidade do Butão, na África. As diferenças são brutais, porque o desejo de possuir é cultural. Os americanos têm em média 8 mil objetos dentro de suas casas, enquanto no Butão as pessoas têm 80. Na Revolução Industrial foi inventado o conceito de linha de produção, um processo absolutamente inconseqüente, porque é pensado linearmente. A natureza, ao contrário, funciona em ciclos o tempo todo. A ecologia industrial, por exemplo, já expressiva na Dinamarca, pode ser o elo entre esses pensamentos porque faz circular em cadeia os refugos industriais, relocando-os como matéria-prima. É o que se chama de ciclo fechado de produção.

De imediato, que mudanças podem ocorrer nas indústrias?

As empresas têm que garantir o reaproveitamento de seus produtos. Um exemplo é um modelo descartável de máquina fotográfica vendida no Brasil, que tem 85% de suas peças reaproveitadas e os 15% restantes reciclados no processo industrial. Não há gasto de plástico para produzir outra máquina. É uma das premissas do pensamento de ciclo fechado, ligada à condicionante material. Mas há também as condicionantes emocionais e filosóficas para o estabelecimento da sustentabilidade.

Como o design se enquadra nesse mecanismo de consumo exacerbado?
O design faz parte do mecanismo de produção de desejos, que, por sua vez, está na origem das demandas aceleradas pela renovação dos objetos, das tecnologias. É uma doença, alimentada por três agentes principais: o design, o marketing e a engenharia. O marketing faz com que minha filha deseje desesperadamente o novo modelo de celular, a engenharia planeja sistemas com obsolescência programada e o design é o responsável pela relação emocional das pessoas com as coisas através da forma, da cor, da textura, enfim, da lógica dos objetos e dos sistemas diversos. Como designer não me cabe apontar tal prática como nefasta, seria hipocrisia, mas certamente teremos que pensar em consumir outras coisas, de outras formas, produzidas de outra maneira.

Junto com a engenharia, a função do design é desmaterializar o que criamos, porque o que não necessitar ser físico terá menor impacto no meio ambiente. O que precisar ser físico deverá ter desenho mais duradouro.

De que forma isso poderá ocorrer?
Temos de fazer com que a engenharia repense sua maneira de projetar para que as máquinas possam ser atualizadas através de downloads, por exemplo, em vez de serem descartadas. Junto com a engenharia, nossa função é, portanto, desmaterializar o que criamos, porque o que não necessitar ser físico terá menor impacto no meio ambiente. No meu iPod, por exemplo, tenho hoje 20 mil músicas, quantidade antigamente armazenável em cerca de 1,5 mil CDs. Imagine a quantidade de papel impresso, de plástico, de energia e de lixo que essa nova caixinha, que mede 4 x 8 centímetros, economizou. Transformar produtos em serviços é um dos desafios aos quais nós, designers, teremos que nos lançar. Por outro lado, o que ainda precisar ser físico deverá ter desenho mais duradouro, ser capaz de interagir com o usuário através do toque, do brilho adquirido pela manipulação, entre outros recursos, a exemplo de materiais que mudam de cor pelo contato com a temperatura das mãos. Hoje, para se ter idéia, as marcas lançam em média 35 modelos de celulares por ano. É insano.

Portanto, o design deverá contribuir para a criação de objetos mais duradouros?
Sim, e a chave da perenidade em termos de consumo, que é o motor da economia, é preservar o desejo das pessoas pelas coisas. O design tem suas ferramentas nesse sentido, mas já vimos que não age sozinho. Numa das pontas, então, o marketing deverá propagar a idéia de consumo mais inteligente, e não será um tiro no pé, porque os aparelhos trocados a cada três anos poderão custar mais. Além disso, as empresas lucrarão com a venda de downloads de atualização e assim por diante. Mas na base disso tudo tem ainda uma variável que não está sendo considerada de modo sistemático, ligada ao passivo que acompanha a produção de um objeto ou a execução de um serviço. Ou seja, quanto de água é despendida no processo industrial, qual o custo dos lixões. Esse passivo está crescendo e, no futuro próximo, os preços subirão porque as empresas serão responsabilizadas por ele. O design perene, portanto, é o caminho natural para que haja o equilíbrio dos gastos, sejam eles financeiros ou naturais.

Boa parte do enfrentamento entre ter e usar poderia ser equacionada com a criação de novos serviços. Na Inglaterra, por exemplo, há lugares em que as pessoas alugam carros por hora em vez de possuir um veículo

No entanto, boa parte do que se produz atualmente tem a ver com a idéia de renovação constante.
Acho que o design efêmero, essa angústia por experimentar formas novas o tempo todo, tende a perder espaço. Acredito que os designers irão batalhar para encontrar novas portas de expressão e atuação, certamente mais perenes, mais potentes e encantadoras. Voltando à questão dos três agentes, sua ação deverá objetivar novas formas de relação das pessoas com os objetos, novos serviços, uma lógica de consumo menos acelerado, ainda que supertecnológico e com materiais de ponta. Não é necessário ser chato para ser sustentável, não precisa ser sem gosto ou sofrer da ausência de cor. Nós, designers, temos uma avenida de novas possibilidades pela frente, todas elas ligadas ao estabelecimento de um novo olhar, de inovadoras formas de negócio. Não faz mais sentido a lógica auto-suficiente do design como uma máquina de gerar formas bonitinhas.

Possuir ou usar - essa é uma das questões focais ligadas à quebra do paradigma consumista?
Sim. Boa parte do enfrentamento entre ter e usar poderia ser equacionada através da criação de novos serviços, menos custosos até, o que nos leva de novo à questão da desmaterialização. Na Inglaterra, por exemplo, há uma seguradora de veículos que cobra proporcionalmente ao período em que o usuário circulou com o carro no mês [o serviço chama-se Pay as You Drive], o que o liberaria da taxa mensal na época em que ele estivesse viajando de férias sem o veículo. Há lugares, também na Inglaterra, em que pessoas alugam carros por hora em vez de possuir um automóvel, e isso faz sentido porque, em média, apenas durante 10% do dia estamos de fato circulando com eles. Então, para que possuir um? As fábricas e empresas do setor não sairiam perdendo, apenas mudaria a forma de seu relacionamento com o consumidor. E os usuários, por sua vez, poderiam ter à disposição acessórios de customização para que a experiência com o veículo alugado não fosse tão impessoal.

O designer se torna, então, um estrategista?

Essa é uma nova e grande possibilidade que temos à nossa disposição, ou seja, mudar a lógica de um produto para a lógica de um serviço. É uma alteração profunda, e, na história da humanidade, momentos de mudança já foram acompanhados pelo design. Podemos alavancar grandes viradas a partir de nosso olhar, tendo o apoio e a demanda dos setores políticos e empresariais. Só com esses setores é que o triângulo design, engenharia e marketing poderá dar a virada para a sustentabilidade, porque o processo tem que ser viável.

De que modo, então, estruturar o desejo de usar em vez de possuir?
Estamos esbarrando com algumas das encrencas que surgem quando você faz uma mudança radical, e é bem complicado porque a posse é completamente arraigada na nossa sociedade capitalista, consumista. Teremos que criar artifícios muito poderosos para não deixar as pessoas descontentes com as transformações de relacionamento, e o fato é que ainda estamos em processo, é algo muito novo. Estive em Londres, e percebi que isso é algo realmente novo, mesmo em outros países.

É possível resgatar do passado exemplos mais sustentáveis de vida social?
Já fomos muito mais ecológicos do que somos hoje, e isso em todos os sentidos. Em relação à alimentação, por exemplo, atualmente 75% da população do planeta consome só 15 espécies de vegetais, e, dessa taxa, 50% tem como base apenas o arroz, o trigo e o milho. O Brasil não é produtor de trigo, temos que importá-lo, transportá-lo por navio, gastando combustível. Isso não faz sentido algum. Poderíamos fabricar pão com mandioca, pão com milho, por exemplo. Isso já ocorria antigamente, havia maior diversidade de legumes e de vegetais. Centenas de tipos de vegetais sumiram com a pasteurização, a uniformização do consumo, e isso gerou atitudes e pensamentos totalmente antiecológicos, de não-valorização do que é local. É um círculo vicioso, negativo. Acredito que a valorização do que é local está voltando à ordem do dia e poderá ser estendida ao comportamento também.

O que muda no escritório de design com a perspectiva da sustentabilidade?
Meu escritório passará a assinar design de idéias, por exemplo, porque o olhar estratégico, filosófico até, é o que deve estar na base de todos os projetos, independentemente de sua natureza ou abrangência. Chamo de planejamento criativo a ação simultânea entre as equipes de inspiração e inovação/estratégia, método que faz com que a idéia e a forma surjam livremente, sem ordem hierárquica ou cronológica. Nos projetos de branding, por exemplo, procuramos incorporar informações sensoriais, táteis, e esse olhar sensorial é fundamental à efetiva guinada da sustentabilidade vista pelos olhos do design.

O que a área de branding tem a ver com sustentabilidade?
A sustentabilidade deve ser observada em qualquer tipo de ação de design, inclusive nos projetos de branding. São trabalhos que falam da relação entre empresas e consumidores ou usuários, e a mudança de paradigma só se efetivará com a evidenciação das novas possibilidades que podem ser estrategicamente idealizadas para tais interações. As empresas têm que mudar de atitude, os consumidores também e, para isso, a comunicação entre eles deve mudar igualmente. Trabalho com a idéia de investigar e enfatizar a interação sensorial, emotiva, e acho que essa abordagem pode ser interessante para a sustentabilidade. Produtos conscientes não precisam ser eco-chatos.

Como os projetos para grandes eventos podem ser agenciados em favor de uma nova lógica de design?
Voltando ao conceito de design de idéias, podemos dizer que ele ocorre em três ambientes, que são o essencial, o de consumo e o de entretenimento. No primeiro, temos o projeto de branding propriamente dito. No segundo abordamos aspectos que interessam às lojas, desde a arquitetura até os folhetos, embalagens, displays, comunicação de vitrines etc. Já no terceiro ambiente, o de entretenimento, há o cruzamento de todas as formas de expressão das marcas, a exemplo do Nokia Trends e do Tim Festival, em que temos trabalhado há bastante tempo. Com o Nokia Trends, para o qual desenvolvemos a identidade global, temos canal aberto de comunicacão com pessoas de vários países e continentes, desde um jovem colombiano até um dinamarques, por exemplo. Acredito nesse diálogo com os jovens como ferramenta.

A internet é, nesse sentido, importante ferramenta de trabalho para os designers?
Com certeza, a informação é um dos nossos pilares. Implantaremos em breve um hot site chamado “Por que você se lembra do que você se lembra?”, que é um convite para que as pessoas enviem a imagem de um momento memorável, de algo que as marcou por alguma razão. A idéia é criarmos um banco de experiências, e se mergulharmos a fundo nessas informações entenderemos mais profundamente o que mantém certas lembranças, certas emoções em nossas mentes. De antemão, já sabemos que a cola mais poderosa entre as pessoas e a realidade é a emoção, e é isso o que busco em meus projetos, resgatar a relação afetiva, sustentável e focada nos negócios.

Você defende o resgate da natureza como elemento de inspiração para o design?
Sim. Meu escritório surgiu há 20 anos muito em função dos estudos que desenvolvia na faculdade de design industrial em torno da biônica. Já naquela época me interessava o exame da natureza e, assim, meus primeiros dez anos de trabalho estiveram ligados à criação de produtos com baixo impacto ambiental, quando ainda poucas pessoas falavam no assunto. Hoje é mais complexo falar de sustentabilidade, mas a lógica cíclica da natureza e seus instrumentos de comunicação entre espécies são ainda grande fonte de estudo e inspiração. A partir da observação das flores, por exemplo, estou refletindo com minha equipe sobre o sistema de seleção de consumidores, de público-alvo nos projetos de branding. As flores são extremamente recentes na história da botânica, mas foram fundamentais para o processo de reprodução das espécies, principalmente porque agenciaram agentes polinizadores com suas armadilhas de cor, forma e cheiro. Estamos extraindo princípios filosóficos e sensoriais dessas pesquisas e vamos aplicá-los no dia-a-dia dos nossos projetos.

Chamo de planejamento criativo a ação simultânea entre as equipes de inspiração e inovação/estratégia, método que faz com que a idéia e a forma surjam livremente, sem ordem hierárquica ou cronológica.

Lecionando em curso de design industrial, como você aborda a questão da sustentabilidade em suas aulas?
A sustentabilidade é critério obrigatório para todos os projetos da faculdade, acho que é responsabilidade do professor transmitir esse raciocínio a seus alunos. Mas, além das informações técnicas, procuro despertar o olhar questionador e curioso em minhas aulas, através, por exemplo, de trabalhos com derivação de palavras. Acredito que o bom designer é necessariamente inventivo, deve ter habilidade para estabelecer conexões sutis, ter boa visão global. Os alunos escolhem, então, um verbo e partem para a investigação de todos os possíveis pontos de vista dele deriváveis. Uma turma trabalhou recentemente com o verbo sobrar e, após passarem pelas denotações de sobra de alimentos, sobras industriais e sobras afetivas, entre outras abordagens, projetaram uma escultura interativa para armazenar garrafas de bebida em determinada área do Baixo Gávea, no Rio de Janeiro. A região é muito freqüentada por jovens, que, desde que a escultura foi implantada, há cerca de um mês, passaram a não mais jogar garrafas no chão e sim encaixá-las na escultura pública desenvolvida pelos meus alunos.

2007 foi o ano do design do bem

Foco de nove entre dez projetos, a sustentabilidade se transformou em palavra de ordem no design

O Estado de São Paulo
Domingo, 6 janeiro de 2008

Marcelo Lima

Tampo de cristal de última geração e base em ripas de caixote. Combinação inusitada? Decerto. Mais ainda se considerado o pai da façanha: o arquiteto Aurélio Martinez Flores, purista em sua arquitetura, mas que optou pela madeira reciclada para desenvolver uma sofisticada e exclusiva linha de móveis para a Firma Casa. Mesas e poltronas de acabamento primoroso, que fazem de suas imperfeições seu principal recurso.

Foco de nove entre dez projetos, em 2007, a sustentabilidade se transformou em palavra de ordem no design. Em alta entre os profissionais, matérias-primas recicláveis como vidro, metal e madeira voltam a ocupar um espaço até bem pouco tempo ambicionado pelos plásticos. Como na Bergère Glass, poltrona de cristal de Guilherme Leite Ribeiro e André Bastos, construída a partir de um desenho de 1720.

Ícone do design brasileiro e mestre no tratamento da madeira, Sergio Rodrigues também marcou presença e comemorou seus 80 anos em grande estilo. Além da Mole, suas cadeiras Oscar e Lúcio Costa foram reeditadas pela Dpot e recebidas com entusiasmo pela crítica e o público, em retrospectiva na última edição da Semana do Design de Milão.

Área na qual os avanços tecnológicos se fazem sentir com maior nitidez, em 2007, a iluminação não fugiu à regra e fez da redução do gasto energético sua maior prioridade. Na raiz das transformações, o advento dos “leds”: diodos de baixo consumo, cada vez mais potentes. Tecnologia presente na Cut, luminária de Fernando Prado, da Lumini, que além da primeira colocação no International Forum Design, de Hannover, Alemanha, conquistou o primeiro lugar em sua categoria na premiação do Museu da Casa Brasileira.

Sensível a valores de ordem simbólica, o projeto industrial - direcionado à produção e ao consumo em larga escala - reservou também boas surpresas para o consumidor. Caso do sistema Carrapixxxo, que marca a primeira incursão do designer Guto Índio da Costa na área de mobiliário e lhe deu a lhe deu a primeira colocação no Salão Design Casa Brasil: dono de uma leveza ímpar, com prateleiras que parecem flutuar, o projeto propõe inúmeras combinações para a montagem de estantes. Uma elegância rara, perceptível ainda na coleção desenvolvida por Arthur Casas para a Riva: utilitários e talheres, dede aço e prata, inspirados no desenho da cobra jararaca.

Nos domínios da decoração, o ano de 2007 assinalou a primeira experiência da marca Casa Cor em terras européias. Mais especificamente na capital da Suécia, Estocolmo, onde, na versão inaugural, o evento reuniu 60 profissionais, incluindo brasileiros. Destaque para o Brazilian Reading Room, de Patrícia Martinez: uma sala de contornos femininos e tonalidades suaves, onde a arquiteta homenageia seu país fazendo bom uso das fibras naturais.

Por aqui, a Casa Cor São Paulo e Rio não ficou imune às preocupações com a reciclagem das matérias-primas. Um exercício levado a cabo, por exemplo, no Bar do Condomínio assinado por Brunete Fraccaroli, que trouxe para a elegante sede do jóquei paulistano a sua versão muito particular de luxo: uma luminosa parede sugerindo cristais, mas construída, de fato, a partir de garrafas de água PET empilhadas.

Além das embalagens plásticas, a madeira reciclada foi hit na mostra carioca, aparecendo em profusão na sala de Patrícia Carvalho e Adriana Graça Couto. Ou ainda no vanguardista ambiente de Maurício Nobrega, onde, num futuro não muito distante, caixotes substituirão mesas de cabeceira - a conferir em 2008

Typolution

Animação minimalista com tipografias



quinta-feira, 8 de maio de 2008

Entrevista com Marcio Sartori

designer de carros

Entrevista com designer automotivo que conta um pouco sobre sua experiência em montadoras como VW, Ford e Fiat.

Por João Paulo Cunha Melo* em 02/02/2008 - 09:00 no Auto Diário.

Hoje mais uma entrevista com designer que se destacam em sua profissão pela a qualidade de trabalho e criativida, hoje será com o designer Marcio Sartori, que hoje trabalha na VW, mas ja passo pela a Fiat e Ford.

1- Quem é Marcio Sartori?

Nascimento 06/02/1977 – Rio de Janeiro – RJ
Designer da Volkswagen do Brasil

2 - Como iniciou sua carreira, a paixão por desenhar automóveis?

Sempre fui apaixonado por máquinas em geral (principalmente aviões e depois carros) e também por desenho porém apenas com 18 anos comecei a pensar na possibilidade de transformar essas minhas paixões em uma profissão.

Me formei em uma universidade particular do Rio de Janeiro em 2002 em Desenho Industrial com habilitação em Projeto de Produto. Anteriormente, cursei 1 ano e meio da faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade de Taubaté – SP.

Em 2002, participei do Concurso de Design da Volkswagen do Brasil (hoje, Prêmio Talento Volkswagen de Design) onde tirei primeiro lugar e tive a oportunidade de fazer um estágio de 1 ano no estúdio. Foi uma experiência maravilhosa e bastante dura até os últimos dias de estágio. Logo após, tive uma chance de trabalhar com modelagem tridimensional na Fiat aonde fiquei por apenas 3 meses pois logo consegui uma vaga como designer na Ford. Trabalhei na Ford por quase 3 anos desenvolvendo projetos em diversas áreas e evoluir bastante. No meio do ano passado, tive a chance de retornar a Volkswagen onde comecei minha carreira e tenho muito orgulho de fazer parte desse time novamente, agora como designer efetivado.

3 - Quais os desafios diários e em longo prazo dos projetos em uma montadora?

Acredito que os designers precisam estar sempre bastante antenados sobre tudo o que acontece em nossa sociedade em termos de comportamento e na forma como os consumidores irão interpretar e desejar os produtos no futuro. O designer tem o desafio de colaborar na projeção do futuro dos produtos e preencher os anseios das novas gerações ou até mesmo criar novos anseios sempre levando em consideração fatores culturais e questões ambientais que são cada vez mais vitais para o futuro da industria e da humanidade.



4- Quais os desafios para um designer em montadoras como a VW e Ford diante a tantos concorrentes e produtos que são lançados cada vez mais rápidos?

Para o designer a competitividade no setor automotivo é algo absolutamente saudável. Isso abre sempre oportunidades para que possamos desenvolver novos produtos e soluções inovadoras no que diz respeito à funcionalidade, aplicação de materiais e novas tecnologias. Sem competição, pouco se evolui.

5 – Qual a dica que você daria a pessoas que estão iniciando a estudar ou se formando em design, para conseguir um dia ser designer em um estúdio?

Bem, eu posso dar a minha opinião baseado no que vivi e no que tenho visto com alguns colegas meus e com os novos estagiários que todos os anos trabalham com a nossa equipe. Antes de mais nada um designer de automóveis precisa desenvolver suas aptidões artísticas através do desenho manual e escultura. Essas duas áreas são à base do nosso trabalho! Um designer precisa olhar para uma superfície e enxergar o que um consumidor não enxerga. Ele precisar ver além. Entender como as proporções, as linhas e superfícies que interagem entre si, resulta em algo atraente e coerente como produto de uma determinada marca. Essa sensibilidade se desenvolve de maneira ininterrupta ao longo da carreira de um profissional dessa área. Quanto mais você observa e critica, mais você enxerga esses detalhes que fazem toda a diferença em um design.

O Brasil ainda é bastante atrasado culturalmente em design porém felizmente também é clara a evolução de nosso mercado e dos nossos profissionais. Existem dezenas de profissionais brasileiros mundo a fora fazendo trabalhos nos mais altos níveis de qualidade e reconhecimento, sem contar o crescimento do mercado interno abrindo muitas oportunidades nessa área. De modo geral, penso que o investimento em design de qualidade é vital para o sucesso de um produto. O desenvolvimento de uma identidade própria para uma marca e boas soluções de funcionalidade e estética atraente são atributos mínimos para que uma marca se destaque no mercado cada vez mais competitivo. Muitos empresários ainda não acordaram para isso e certamente ficarão para trás caso não entendam que publicidade e design são indispensáveis.

O design tem sido cada vez mais compreendido e valorizado como atributo decisivo na compra de um produto. Isso está abrindo muitas oportunidades para os novos designers. Minha opinião é que o estudante deve tentar escolher uma área que o atraia e foque seus esforços nisso o mais cedo possível. Investir no que é necessário para que ele consiga um estágio nessa área e siga carreira nela. No caso do design automotivo, sketches a mão livre, ilustração em photoshop, modelação tridimensional, escultura em clay e claro, falar no mínimo o inglês fluente. Participar de concursos de design também é uma excelente forma de treinar suas habilidades e divulgar seu potencial, sem contar os concursos como o Talento Volkswagen, que oferecem como prêmio, uma vaga de estágio.

*João Paulo Cunha Melo, Designer de produto pela a Faculdade de Belas Artes de São Paulo e sócio da Wide Industrial Design, escreve para o AutoDiário quinzenalmente na Coluna Design em Movimento

Design para todos

Design para todos

Luis Castellari

Atualmente, 95% do design de embalagens criado no Brasil é produzido para as grandes empresas; somente 5% é feito a pedido das pequenas e médias. Assim, um dos grandes desafios assumidos pelo Comitê de Design da Abre – Associação Brasileira de Embalagem este ano é, justamente, oferecer soluções aos pequenos e médios empresários brasileiros, pois design de embalagem não é privilégio de poucos.
A maioria das ações do comitê tem enfocado e mostrado a esses empresários que boa parte da competitividade pode ser alcançada melhorando-se as marcas e o design, de produtos e de embalagens.
Seja no mercado nacional ou no internacional, não basta mais apenas um produto de boa qualidade. A marca e a sua imagem são fundamentais para compor o sucesso de um produto. O consumidor precisa, de alguma forma, se identificar com o produto. E essa forma é justamente a marca e a embalagem.
Trabalhamos para que o mercado entenda que o Comitê de Design da Abre existe exatamente para ajudar nessas questões.
Ao todo, reunimos 38 agências especializadas em soluções de design de embalagem e de marca, independentemente do tamanho do cliente. Cada escritório está apto a desenvolver um projeto adequado ao orçamento da empresa.
Estamos certos de que, ao aumentar a competitividade de cada empresa isoladamente, o Brasil, como um todo, também sai ganhando. De que adianta termos a melhor cachaça ou o melhor café do mundo se comercializamos esses produtos a granel, sem explorar o potencial da marca Brasil e da embalagem nacional?
E esse processo de criação da marca Brasil já está bem atrasado. Vizinhos como a Colômbia e o México, por exemplo, já consagraram, respectivamente, produtos típicos e regionais, como o café e a tequila, em todo o mundo. E o Brasil, continuará sendo sempre reconhecido por samba, mulata e carnaval?
De qualquer forma, daremos uma prova do potencial e da flexibilidade da indústria brasileira de design de embalagem na Fispal/Fispack 2003, que acontecerá entre os dias 10 e 13 de junho, no Parque de Exposições do Anhembi, em São Paulo. Pelo segundo ano consecutivo, o Comitê de Design da Abre terá o Fispal Pack Design Show, uma área de 330 metros quadrados, onde 15 agências participantes mostrarão como é possível valorizar o produto nacional.
Sabemos que o design brasileiro de embalagens já se consagrou em apresentar inovações e soluções para as grandes marcas. Nosso desafio, agora, é expandir essa atuação e mostrar que o design é uma ferramenta de sucesso, independentemente do tamanho da empresa. Uma ferramenta, muitas vezes, bem mais acessível do que os pequenos e médios empresários possam imaginar.

Revista About

A importância da embalagem para a marca

A importância da embalagem para a marca

Alessandra Baronni Garrido

Alguns milhões de reais e comerciais de 30 segundos em horário nobre separam as poucas marcas "famosas" do restante. Principalmente quando falamos de mercado de massa, essa diferença é ainda mais gritante. Mas será que o único fator de decisão de compra para o brasileiro é a fama da marca?

Cada vez mais sabemos que não. Com certeza, milhões de reais contribuem para o crescimento de qualquer marca, principalmente se existir algo que cative seu público-alvo. Mas a realidade brasileira obriga o consumidor, na hora da compra, a prestar mais atenção na relação de valor entre o produto e o preço e, conseqüentemente, a analisar melhor todas as opções disponíveis.

Pensemos o seguinte: a maioria da população brasileira, concentrada nas classes C e D, aspira a ter uma casa bonita, cheia de móveis, armários e eletrodomésticos. Como isso pode estar ligado a marcas? O crediário, como o da Casas Bahia, é a única solução para a realização desse sonho de consumo. São necessários R$ 18 mensais para ter aquele conjunto de sofás. A compra no supermercado é a principal fonte de economia dessa mensalidade, em que cada real economizado conta. Portanto, o consumidor, expert em relação de valor — pode acreditar, ele é o melhor nisso —, nem sempre coloca no carrinho a marca mais famosa.

E o que a embalagem tem a ver com tudo isso? Como a briga entre marcas é cada vez maior no ponto-de-venda, e as relações de custo e benefício são freqüentemente calculadas na hora da compra, a embalagem, único meio de comunicação presente nesse momento, ajuda a montar a percepção de qualidade versus preço necessária para se tomar qualquer decisão. Lembremos da prestação de R$ 18.

Aqui entra o apelo visual na hora de atrair a atenção do consumidor, para que o produto seja destacado entre as várias opções. Vale saber que 75% das embalagens presentes nos supermercados são completamente ignoradas pelos consumidores (segundo matéria publicada pela Veja em 2002). Em seguida, a embalagem precisa, em alguns segundos, traduzir os valores, a personalidade e a intenção da marca, e assim estabelecer uma ponte entre ela e seu público-alvo.

Por último, porém ainda mais importante, ela tem de garantir a comunicação dos benefícios, emocionais ou funcionais, e do diferencial do produto em relação aos seus concorrentes. Atenção: essa tarefa não necessariamente significa utilizar somente palavras, mas, mediante meios mais fáceis, rápidos e amigáveis, como símbolos e cores, convencer o consumidor de que esse produto é mais adequado do que o outro.

A embalagem, portanto, é uma ferramenta importante de comunicação. Muitas vezes, ela é parte integrante do produto, como em um desodorante aerossol, do qual vemos, compramos e manuseamos somente a embalagem, não o produto. Para outras marcas, ela define compra. Se por um lado os consumidores estão gastando mais tempo em frente às gôndolas do supermercado, por outro temos que comunicar tudo o que queremos em poucos segundos, pois não dispomos do tempo dos comerciais. O que é uma tarefa no mínimo desafiadora para marcas que muitas vezes têm apenas alguns centímetros de rótulo.
Indo de um extremo a outro, como em mercados de prestígio, a embalagem faz parte da experiência do consumidor com o produto. Aqui, a percepção é realidade e a embalagem contribui fortemente para a definição de uso do produto. Por exemplo, uma caixa de bombons em uma linda embalagem dourada e preta pode ser utilizada para presentear alguém. Já o mesmo chocolate em uma caixa de papelão amarela pode ser um companheiro para tardes em frente à TV.

Outro bom exemplo nesse mercado de prestígio é o caso de creme para pele, especialmente aqueles baseados em alta tecnologia para o combate às rugas, no qual a embalagem, também tecnológica, futurista e maravilhosa, é parte da razão pela qual as consumidoras acreditam nas promessas funcionais e milagrosas desse tipo de produto. Ou seja, em setores como o de cosméticos, a embalagem define preferência, sugere eficácia e é primordial para o sucesso do produto.

Este texto não tem a intenção de criar discussão sobre os altos investimentos em marcas "famosas", tampouco sobre a efetividade do comercial de 30 segundos. Mas sim de alertar que a embalagem é uma importante ferramenta de comunicação que cria valor para marcas, estabelece conexão entre estas e seus consumidores e define compra e preferência.

Kuat reformula identidade e promete novo posicionamento

Fonte: Textual Serviços de Comunicação

O refrigerante Kuat está com seu visual totalmente renovado. A marca deixou de lado o tradicional verde e vermelho – utilizado pela maioria das fabricantes de refrigerante de guaraná – e elegeu o dourado como principal tom de sua nova identidade. Nas embalagens, em vez de folhas ou qualquer outra poluição visual, destaca-se apenas o nome do produto, com uma grafia também rejuvenescida, além do “K” característico, junto à esfera vermelha já utilizada anteriormente.






























A Santa Clara é a agência responsável pela reformulação, que consiste na modificação das garrafas e latas apenas como um primeiro passo da nova estratégia de comunicação da marca. “A mudança da identidade visual de Kuat é o começo de um novo e envolvente caminho. As novas embalagens, que são lindas, marcam o início da evolução também da noss
a comunicação com o consumidor. Kuat acredita na evolução, que é a nossa bandeira a partir de agora. Acreditamos que o mundo não está pronto, que não existem espaços que não possam ser conquistados. Queremos que a evolução de Kuat seja inspiradora para provocar a evolução também na vida das pessoas, pois é a energia natural de todos nós que move o mundo, transformando, reciclando, pensando e fazendo”, pontua Andréa Mota, diretora de marketing da Coca-Cola Brasil, em comunicado enviado ao PortaldaPropaganda.com.

A novidade faz parte ainda da celebração por parte da empresa com o crescente sucesso da marca. De acordo com o Instituto AC Nielsen, a participação nacional de Kuat no segmento de guaranás cresceu 3,3% nos últimos quatro anos, chegando a 15,1% em 2007. O crescimento consistente das vendas tornou o refrigerante líder no segmento em capitais como Salvador, Fortaleza e Teresina.















Douradas e lindas!

As novas latas de Kuat são totalmente douradas, com exceção do logotipo em verde e vermelho. Já Kuat Zero traz pequenas frisas brancas alternadas ao dourado. Nas garrafas – tanto as de vidro quanto as PET –, a solução para ressaltar o tom de ouro foi simples e criativa: embalagens transparentes substituíram
as antigas verdes, fazendo com que o líquido se encarregue de dar a nova coloração à embalagem.

Kuat e Kuat Zero poderão ser encontrados nas seguintes versões: latas (250ml e 350 ml) e garrafas PET de 500 e 600 ml, 1, 1,5, 2, 2,25 e 2,5 litros.




Entrevista - Marta Cardoso

Fazendo uma limpa lá em casa achei uma revista entrevistando a Sócia Diretora da Pandesign, Marta Cardoso, Eleita designer do ano 2005.

Marta Cardoso formou-se em publicidade pela Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo, e se especializou em design gráfico nos Estados Unidos. Tentou entrar no mercado pela porta da publicidade, em passagem por DM9 e DPZ, mas foi mesmo na área de design que encontrou campo favorável para ter seu talento reconhecido por clientes respeitáveis como os que engordam a carteira da Pandesign: Bunge Alimentos, Carrefour, Danone, Itaú, Nestlé e Sadia.

ABOUT – Como surgiu o seu interesse pelo design?
MARTA CARDOSO – Desde criança eu gostava muito de arte, de pintar, desenhar, de construir coisas impossíveis. Tenho três irmãs: uma economista, uma advogada e uma que atua na área de pesquisa da Unilever. Sou a única diferente na família, a única artista, aquela que é meio maluca. Acabei escolhendo o curso de publicidade porque achava que era o caminho para quem é doidinho. E, paralelamente à faculdade, fiz um curso de fotografia.

ABOUT – Como foi sua trajetória profissional?
CARDOSO – Dei muita sorte, que é um componente importante na vida de todo mundo. Uma amiga minha conseguiu levar meu portfolio com trabalhos de fotografia para o Nizan Guanaes, quando ele estava montando a DM9 em São Paulo, em 1989. Ele gostou e eu fui estagiar na agência. Naquela época, eu até limpava as vidraças, mas também participei da criação do estúdio, no tempo do paste-up. E lá estavam, começando como diretores de criação, o Roberto Cipolla e o Marcello Serpa, que foram meus primeiros professores.
Pouco depois, o Nizan quis abrir um departamento de embalagem dentro da DM9, batizado de INC, e, para isso, chamou o Cipolla e um grupo bem bacana, incluindo eu. Fiquei lá até 1992, quando resolvi ir estudar desenho gráfico na School of Visual Arts, em San Diego. Morei fora por seis meses e voltei para a INC por causa da saudade da família. Terminei o curso de publicidade na Faap e uns seis meses depois fui para a Seragini, especialmente porque o Cipolla trabalhava muito com a emoção e eu queria aprender um pouco mais sobre a base do negócio.
Fiquei um ano na Seragini e, vendo que não ia ganhar dinheiro com design, resolvi voltar à publicidade. Bati na porta da DPZ e fui contratada pelo Murilo Felisberto, que foi um grande professor, me ensinou tudo de tipografia. Entretanto, apesar da intenção de voltar à publicidade, nos nove meses que fiquei na agência eles só me passavam trabalhos relativos a logotipos, embalagens... Percebi que não tinha mais jeito.
Nesta época, resolvi montar um negócio em casa, que não deu certo, pois misturando casa e trabalho no mesmo local não se tem hora nem disciplina para nada.
Nesse período, a Young & Rubicam estava tentando trazer a Landor para o Brasil. Fui contratada para esta empreitada, que acabou não vingando. Mesmo assim, montamos a Flag, na própria Young & Rubicam, então presidida pela Christina Carvalho Pinto. Entretanto, quando o Alexandre Gama foi substituí-la, em 1997, cortou todo o departamento de design.
Foi então que juntamos o pessoal que estava na Flag e montamos a Mazz Design, uma sociedade minha com a Andréa Gória, o José Roberto Campos Paulino e o José Bento da Silva. A Andréa deixou o negócio logo no início e, em seguida, foi a vez do José Roberto sair. Ficamos eu e o Zé Bento, juntos por quase seis anos. Até quando engravidei e fiquei pirada outra vez. Resolvi mudar de novo, pois queria ser a única dona do negócio. A essa altura, meu pai, Fernando Faria, que é economista e sempre foi diretor de multinacionais, estava se aposentando e veio me ajudar nas áreas administrativa e financeira.
O Zé Bento ficou com o nome Mazz, já que eu queria criar uma empresa com um novo conceito, mas uma parte da equipe veio comigo. Lançamos a Pandesign em dezembro de 2002.

ABOUT – Como vocês chegaram ao nome Pandesign?
CARDOSO – Pegamos os dicionários de tupi-guarani, italiano e francês. Há um traço muito forte em mim e no meu pai, que é o lado humanitário. Pensamos numa empresa em que todos estivessem felizes, gostando do que fazem. Não queríamos hierarquias e burocracias, então planejamos uma agência que fosse aberta, onde os funcionários tivessem acesso aos resultados e recebessem participação nos lucros. E a escolha do nome Pande vem ao encontro desta filosofia, pois em tupi-guarani significa "todos nós". E deu certo porque na nossa equipe todos têm um ótimo astral, dá vontade de levar todo mundo para casa (risos).

ABOUT – Como está estruturada a empresa?
CARDOSO – Temos 30 funcionários. A área de criação está dividida entre o núcleo Pande, sob a responsabilidade dos diretores Ronnie Kinoshita e Sônia Fugiwara, e o núcleo específico de marcas próprias do Carrefour, coordenado por mim. Além disso, temos a Laís Carvalho na direção de atendimento e planejamento.
Entretanto, para mim, a grande revolução no mercado de design é o Fernando Faria. Não falo isso por ser meu pai, mas porque ele está trazendo um profissionalismo para este segmento nunca antes experimentado. Sempre fomos um pouco amadores, porque o mercado de design sempre foi tocado por artistas.
Já o Fernando Faria é um empresário de finanças, que operacionalizou a Pandesign sem deixar a empresa burocrática, muito pelo contrário. Somos superfuncionais, todos sabem o que está acontecendo e a informação circula com transparência. Ele criou, com outro profissional, um sistema específico para operar uma agência de design, que, além de ser usado por nós, já foi vendido para mais cinco empresas.
Veja que somente no caso do Carrefour precisamos desenvolver 500 embalagens em dois meses, um tempo recorde. Sem essa estrutura e organização teria sido impossível concretizar o trabalho.

ABOUT – O fato de as marcas próprias começarem a valorizar a embalagem é algo relativamente novo no Brasil. Como você analisa o relacionamento das redes varejistas com o design?
CARDOSO – Hoje, as marcas próprias já não são vistas somente como uma linha de produtos de preço mais baixo. Geram um faturamento impressionante para as redes varejistas e, por esse motivo, não podem ter embalagens que indiquem apenas que o preço é menor, mas precisam ser compatíveis com os líderes de cada uma das categorias nas quais competem.
Vejo o mercado brasileiro investindo com muita força no segmento de marcas próprias. O Carrefour foi o pioneiro no Brasil neste ramo, mas trabalhava com embalagens muito brancas. Num primeiro momento, quem deu mais atenção ao design de suas embalagens foi o Pão de Açúcar. Vendo este movimento, o Carrefour também quis investir em embalagens que chamassem a atenção nas gôndolas, já que estamos falando da principal ligação do produto com o consumidor.
O que temos que pensar ao criar para marcas próprias é o mesmo que pensamos nos projetos dos nossos outros clientes: a embalagem tem de pular no carrinho de compras do consumidor. Além disso, precisa oferecer algum benefício, como, por exemplo, receitas, dicas...
A embalagem não pode ser uma coisa estática, é preciso que transmita emoção na gôndola e prolongue esse relacionamento até a casa do consumidor.

ABOUT – Então, no trabalho de design, é preciso se preocupar com a forma, mas também com o "conteúdo" da embalagem. Existe uma divisão na empresa para cuidar desta área?
CARDOSO – Temos um departamento de comunicação que auxilia clientes que não estão preparados. Entretanto, no Brasil, as agências ainda recebem muita coisa pronta do fabricante. Se a Nestlé quer desenvolver uma nova lata de leite condensado, eles falam com a CSN, que contrata uma empresa de design para auxiliá-la no desenvolvimento desse trabalho.
Hoje em dia, tão importante quanto o layout bonitinho é a inovação tecnológica. Quando o fabricante diz que quer inovar, para nós é bárbaro.

ABOUT – No Brasil, as agências de design são mais provocadas pelos anunciantes ou provocam mais o mercado para que a inovação seja uma constante?
CARDOSO – Existem os dois casos, mas quando a agência tem abertura no cliente para sugerir é bem melhor. Muitos dos nossos clientes são grandes empresas e multinacionais, sempre preocupadas com custos e regras internacionais, o que nos deixa um pouco de mãos atadas.
Quando um ou outro diz que tem dinheiro e quer inovar, para nós é fantástico. Nesses casos, vamos atrás de pesquisas, reunimos o atendimento, a criação, a produção, e procuramos conceituar a embalagem, desde o formato até o layout do rótulo.
Tudo o que há por trás da embalagem precisa estar ligado à marca. Se não houver identidade, o trabalho se perde. Se o apelo emocional não estiver vinculado com a marca, se for algo desconexo, a embalagem não atingirá o resultado desejado. Queremos criar uma embalagem que seja interativa. No caso de Ninho, por exemplo, fizemos um menino jogando bola. Ele de um lado da embalagem e a bola do outro. Ali contamos uma historinha ligada à marca.

ABOUT – Como você analisa o momento atual do mercado brasileiro de design de embalagem e ponto-de-venda, comparando com outros países?
CARDOSO – O Brasil é muito emotivo, tem um povo passional. Todo designer gostaria de fazer uma embalagem londrina, clean e sofisticada. Aqui, não é isso que funciona. É preciso ter apelo, cor, vibração...

ABOUT – E os designers não gostam dessa emoção?
CARDOSO – Gostamos (risos). Temos de transmitir na embalagem a mesma paixão que sentimos por essa atividade.
O que ocorre é que as embalagens brasileiras são mais passionais e um pouco mais poluídas. Aqui, temos de colocar no rótulo um morango enorme com gotinhas para despertar sensações.
Quanto à funcionalidade das embalagens, lá fora eles estão muito mais avançados do que a gente, até por uma questão financeira. Os iogurtes vêm em potes de vidro, dando a possibilidade de o consumidor provar um pouco e guardar uma parte para depois. No Brasil, estamos correndo atrás das inovações tecnológicas, mas o processo é muito lento.

ABOUT – Você avalia que as nossas agências de design estão conseguindo inovar, apesar das limitações às quais estão expostas?
CARDOSO – Para ser bom, assim como na publicidade, é preciso ser único, se destacar, falar a linguagem que emociona.
Quando criamos neste curto espectro da inovação, o fazemos pelo lado emocional, dentro do conceito das marcas. Os consumidores precisam entender a mensagem que está sendo passada. E, ali na gôndola, a embalagem tem de resolver rápido a sua comunicação. No ponto-de-venda, tudo é muito ligeiro, não se pode perder tempo. É preciso estar bem posicionado e privilegiar a mensagem curta, direta, simples e clara.

ABOUT – Como você analisa a conexão das agências de design com as outras empresas de comunicação e marketing, como as agências de publicidade e promoção?
CARDOSO – O ideal seria que tudo fosse interligado. Mas, no geral, essa conexão está aquém do ideal. Na Pandesign, procuramos ter um relacionamento interligado com todas as empresas que cuidam da comunicação do cliente, o que é essencial para o desenvolvimento de um bom trabalho. Quanto mais conseguirmos trabalhar de forma parceira, um respeitando o espaço do outro, melhor para o cliente.

ABOUT – Na composição entre as empresas que trabalham a comunicação dos anunciantes brasileiros, você considera que a área de design é prestigiada como deveria ser?
CARDOSO – Falta caminhar mais um pouco. Hoje, a embalagem é a principal mídia que o cliente tem, embora ele não saiba disso ou não valorize tanto quanto um filme ou um anúncio.
Se pensarmos que a embalagem é a mídia que faz a ligação do produto com o consumidor, teria que se dar mais valor a ela. Entretanto, na minha visão, os publicitários estão atentos para esse fato, o que está gerando uma comunhão maior do que havia há algum tempo.

ABOUT – É viável para as empresas de design brasileiras pensar em expandir seus negócios para o mercado internacional?
CARDOSO – Na Pandesign, já fizemos embalagens da Sadia para a Rússia e o Leste Europeu. Estamos no mesmo nível de uma empresa internacional.
O mercado externo representa uma boa oportunidade de negócios, especialmente porque muitas empresas brasileiras exportam seus produtos e preferem desenvolver aqui no Brasil as embalagens voltadas ao mercado externo. Assim, pagam em reais e recebem um trabalho com a mesma qualidade que teriam se estivessem pagando em euros.

ABOUT – A questão cultural não é um problema ao se trabalhar para o mercado externo?
CARDOSO – Pesquisamos muito. Entretanto, quando se trata das classes A e B, que são os segmentos para os quais mais trabalhamos quando a embalagem é voltada para o mercado externo, há um padrão. As classes A e B na Rússia não se vestem com aquelas roupas típicas, com lencinhos. São pessoas cosmopolitas, descoladas, que podem ser atingidas com uma embalagem internacional. O que fazemos nesses casos é isto: embalagens internacionais. O mais importante é estar antenado, ir à Rua 25 de Março e à Daslu. Apesar disso, evidentemente, é preciso respeitar os códigos próprios de cada mercado. Há alguns detalhes que precisam ser observados.

ABOUT – Quais são os planos da Pandesign para o futuro?
CARDOSO – Pretendemos fazer algumas associações e estamos nos superando para isso. Até julho deste ano, já tivemos um faturamento igual ao do ano passado inteiro. Queremos nos transformar em uma agência de comunicação de marketing, capaz de solucionar problemas do cliente não só na área de design e ponto-de-venda. Os dois primeiros focos serão o marketing direto e a promoção.
Nosso objetivo é trazer para cá profissionais capazes de gerir essas novas áreas, usando todo o nosso know-how de administração, e sendo associados à Pande em cada uma dessas disciplinas.

Entrevista de Alexandre Lemos e Felipe Turlão

Revista About - 22/05/2005

Calçada quebrada

Porto Alegre é a capital mais arborizada do Brasil, e um dos preços que a cidade paga pelo "título" é que também deve ser a campeã de calçadas detonadas por raízes.

Daí, lendo o Inhabitat, achei uma solução sensacional para esse problema que assola os caminhos da cidade.

São as Rubbersidewalks:






Que é um sistema modular de calçamento que permite a manutenção preventiva da raízes (ou seja, a poda), além da melhor irrigação do solo abaixo da calçada.











Saca só:







Antes;

















e depois.


Parafraseando a Polishop(...):
"- E não é só isso."

Além da vocação prática do projeto, ele também é altamente ecológico, uma vez que as Rubbersidewalks são fabricadas com 100% de pneus usados (que são um verdadeiro estorvo ambiental).


Cada pneu reciclado pode produzir em média uns 30cm² de Rubbersidewalk.