domingo, 30 de março de 2008

Entrevista com o Designer Eduardo Vieira

1. Há quanto tempo você está nesta profissão e o que lhe levou a essa escolha? Se tivesse que começar de novo, o que você mudaria em sua vida profissional?
Eduardo: Trabalho com design desde 1997. No webdesign, ingressei em 98. Sempre gostei de desenhar, de fotografia e de várias outras técnicas de representação visual. Amo minha profissão, que permite que eu explore as coisas de que gosto, e pelas quais me interesso desde pequeno. A possibilidade de criar, explorar linguagens e técnicas, desenvolver códigos e projetar soluções me fascina. Gosto muito de estudar o design e, se tivesse que mudar algo, seria a possibilidade de experimentar mais em outras áreas do design, procurar novos desafios.

2. No decorrer de sua vida profissional, qual tem sido seu diferencial de trabalho?
Eduardo: Em toda a minha carreira, sempre me coloquei bastante consciente do meu papel como designer em cada projeto do qual participei, e sempre procurei despertar em outras pessoas essa consciência da importância de nosso ofício, não apenas em termos estéticos e funcionais, mas em termos sociais e econômicos, também. Sempre busquei a diferenciação e a exclusividade, buscada a exaustão em cada projeto, sem abrir mão da qualidade e da justificativa em cada solução projetada.

3. Como diretor de criação da empresa, qual a importância do trabalho em equipe?
O que fazer para manter um bom relacionamento?Eduardo: O trabalho em equipe é fundamental. Várias cabeças colaborando num projeto, cada uma com sua experiência e cultura visual, podem enriquecer demais um projeto. Na Tribo 12, até por termos uma equipe pequena, reforçamos muito esse conceito. O design em si é uma atividade multidisciplinar, portanto, necessita demais dessa característica, que é o trabalho em equipe.Para manter um bom relacionamento, respeito e confiança (em si e nos outros), acima de tudo, cultivados num ambiente de mútua colaboração e espírito coletivo.

4. Para você, que fatores podem determinar o sucesso de um profissional e de uma empresa?
Eduardo: Acredito que motivação seja algo essencial e pertinente àqueles que sonham e não têm medo de assumir os riscos que estarão presentes nessa escalada. Através dessa característica, um profissional poderá superar desafios com criatividade e trabalhar bastante para alcançar o tão sonhado sucesso. Visão empresarial e os mandamentos de um empreendedor também são fundamentais: iniciativa, aceitação do risco, auto-confiança, capacidade de decisão, espírito de equipe, otimismo, motivação, criatividade e muita, mas muita persistência.

5. Como profissional, o que lhe dá plena satisfação e o que lhe deixa completamente triste?
Eduardo: Fico extremamente satisfeito com o reconhecimento do meu trabalho, de minha empresa e de todo o esforço para o devido reconhecimento ao design, em particular, o brasileiro. Alegra-me saber que estamos conquistando nosso espaço, fazendo-nos imprescindíveis no processo projetual e responsáveis por aquele diferencial competitivo. O que me entristece é constatar ainda que o empresariado ainda caminha a passos lentos em relação a essa consciência e, por conta disso, como muitos designers aviltam o mercado com práticas e preços condenáveis. A maré pode não estar tão boa, mas há espaço para todos e não vai ser desvalorizando nosso trabalho que conseguiremos respeito.

6.Onde você busca inspiração?
Eduardo: Minha inspiração vem das tentativas de compreensão do momento, da realidade, das coisas que nos cercam. Alimentar nossa cultura visual é algo muito importante, mas entender o contexto em que estamos projetando e vivendo é essencial. Não pretendo seguir tendências, mas alimentar-me delas, processá-las e instigá-las a ponto de desenvolver algo sempre diferenciado, porém, justificado e de acordo com o que pode ser um elemento transformador. Para isso, leio muito, folheio revistas, aprecio a arte, mas acima de tudo, navego muito na internet, que, se bem vasculhada, é uma fonte inesgotável de inspiração, distração e reflexão, e é nela que, digamos, mergulho - pois interagir com o meio é mais interessante do que apenas navegar por ele...

7. Conte uma história curiosa que tenha lhe acontecido ao longo de sua carreira.
Eduardo: Nossa, são tantas! Mas uma divertida aconteceu há anos, ainda como estagiário. O diretor de arte em questão havia projetado um website para determinado cliente, que estava implicando com a tipografia escolhida. Um dos sócios, já desesperado com a situação, resolveu chamá-lo ao escritório para escolher a fonte que mais lhe agradasse. Incumbido da tarefa de mostrar as fontes para o cliente, fui conduzindo a conversa de tal maneira que fiz ele escolher a mesma fonte que estava sendo utilizada no website, mas sob o pretexto de que, dessa vez, a escolha tinha sido dele! Ele ficou felicíssimo, ainda mais depois de toda a justificativa, relato histórico e elogios que fiz à escolha 'dele'. E, assim, todos saíram satisfeitos.
rascunho

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